segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Câncer e o tratamento

Com o avanço da ciência, foram desenvolvidas algumas posibilidades para o tratamento do câncer. Atualmente, a terapia pode ser feita através da radioterapia, cirurgia, quimioterapia e do transplante de medula óssea. Em muitos casos, uma combinação desses tipos de tratamento se faz necessária e na maioria das vezes, há a ocorrência de severos efeitos colaterais.

A quimioterapia normalmente é o tratamento mais conhecido, consistindo no uso de compostos químicos para a eliminação das células doentes que formam o tumor. No corpo humano, cada medicamento possui um modo diferente de agir e por isso, são utilizadas diferentes combinações cada vez que o paciente recebe o tratamento. Um dos efeitos colaterais mais frequentes e conhecidos da quimioterapia é a queda dos cabelos e de outros pêlos do corpo. Náuseas e fraqueza também são sensações comuns após a terapia. A duração do tratamento depende de cada caso e é direcionada segundo o tipo de tumor. Alguns exemplos de substâncias usadas na quimioterapia foram apresentados anteriormente neste blog, na abordagem do câncer de pele.

A radioterapia consiste em utilizar radiações para acabar com o tumor ou impedir que as células cancerosas se proliferem, podendo ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tumores. A utilização da radioterapia no combate ao câncer é crescente e cada vez mais pessoas são curadas através desse artifício. Se a cura não puder ser obtida, a radioterapia contribui para uma melhora na qualidade de vida do paciente. Assim como na quimioterapia, o tratamento radioterápico causa alguns efeitos colaterais, já que tecidos saudáveis também são atingidos. A intensidade desses efeitos varia de acordo com o tipo de aparelho utilizado, da quantidade de radiação e do estágio no qual se encontra a doença. Dentre os efeitos, pode-se citar a falta de apetite ou dificuldade na ingestão de alimentos, cansaço e irritações na pele.

Nos dias atuais, a cirurgia oncológica é o tratamento de escolha para cerca de 90% dos pacientes.O tratamento cirúrgico já era utilizado antes do desenvolvimento da quimioterapia e radioterapia. Antigamente, acreditava-se que o câncer atingia regiões localizadas e que seu potencial de multiplicação era limitado a uma área específica. Ainda hoje, os procedimentos cirúrgicos vêm sendo atualizados e desenvolvidos, no intuito de otimizar a terapia e obter melhores resultados estéticos e que agridam o organismo do paciente da menor forma possível, garantindo uma melhor qualidade de vida. No entanto, para aumentar a probabilidade de sucessos da cirurgia, é necessário que se busque o auxílio médico o mais rápido possível, a fim de evitar que o tumor se alastre e se torne mais grave.

Por fim, o transplante de medula óssea é feito em casos de doenças sanguíneas, as quais normalmente alteram a quantidade de células sanguíneas produzidas no organismo. A medula óssea é responsável em formar essas células e o transplante consiste na substituição de uma medula debilitada por células medulares normais que poderão constituir uma nova medula. No transplante, a medula saudável pode vir do próprio paciente ou de um doador que seja compatível. Também é possível a utilização de células indiferenciadas da medula extraídas do cordão umbilical. Antes do transplante, o doador deve passar por inúmeros exames que comprovem a compatibilidade com o paciente, bem como, suas boas condições de saúde. Em 2000, apenas 10% dos pacientes eram tratados com o transplante e atualmente, o percentual aumentou para 70%. Essa evolução deveu-se a investimentos do Ministério da Saúde e de ONGs, que forneceram recursos para a identificação de potenciais doadores de medula, tornando o Brasil, o terceiro maior banco de dados da categoria (com 1,6 milhõe de doadores), ficando atrás apenas dos E.U.A (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões).

Referências:

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=125

http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_15/cap_166.html

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=483

http://www.suapesquisa.com/cancer/

domingo, 12 de dezembro de 2010

Câncer de pele


O chamado melanoma maligno é a categoria de câncer de pele que possui um alto potencial de proliferação, enviando células tumorais para outros órgãos (metástase). A incidência desse tipo cancerígeno é muito mais frequente em pessoas que possuem a pele clara, sobretudo quando estas ficam muito tempo expostas à radiação solar. Pessoas que possuem histórico familiar de câncer de pele também são mais suscetíveis a contrair a doença. Na fase inicial, o melanoma fica restrito à região mais superficial da pele, sendo por isso, a época mais adequada para a realização do diagnóstico. Normalmente, a patologia se manifesta atráves da formação de uma pinta escura com contornos irregulares, a qual pode causar coceira e descamação.No entanto, quando o melanoma adquire uma forma mais espessa e forma lesões elevadas na pele, a doença pode estar atingindo regiões mais profundas, dificultando o tratamento e podendo causar metástases para outros órgãos.
Quando detectado nas fases iniciais e precocemente, a probabilidade de o paciente obter sucesso em sua terapia é grande. Nos países desenvolvidos, a sobrevida média estimada em cinco anos é de 73%, enquanto que, para os países em desenvolvimento, a sobrevida média é de 56%. A média mundial estimada é de 69%.

O tratamento para esse tipo de câncer ainda mostra-se um pouco incipiente, visto que cirurgias raramente possuem um potencial de cura significativo nesse tipo de câncer, bem como, a radioterapia. No entanto, o estudo em quimioterapia está caminhando no sentido de desenvolver e potencializar a capacidade de resposta de determinadas drogas no tratamento oncológico. O objetivo é otimizar os efeitos e diminuir a toxicidade das substâncias, tornando a terapia menos sofrida e penosa para o paciente. Dentre o arsenal de medicamentos utilizado, a substância chamada fotemustina recebeu destaque em inúmeros estudos, por apresentar uma capacidade maior em combater o melanoma cutâneo. A tabela 1 mostra uma abordagem comparativa entre a fotemustina e outros compostos utilizados na quimioterapia.
Como prevenção para a doença, recomenda-se evitar exposição ao sol forte por tempo excessivo, o uso de filtros solares, chapéus e óculos escuros.
Referências:

Câncer de mama

O câncer de mama ou cancro de mama é neoplasia maligna mais freqüente na mulher brasileira. Ocorre, preferencialmente, após os 40 anos de idade, embora nos últimos anos tenha se observado um fenômeno em nível mundial, ainda inexplicado, que é o aumento sensível de sua incidência em faixas etárias mais jovens. (Thiesen et al 2002)

É o mais temido entre as mulheres não só por ser o mais incidente mas também pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. O câncer de mama traz muitas complicações na auto-imagem das mulheres, diminuindo muito o desejo de se expor ao parceiro. A mama é considerada um ponto importante da feminilidade e se o câncer gerou a necessidade de retirada da mama afetada a mulher pode ficar bastante abalada também sexualmente. O implante de silicone tem ajudado muitas mulheres a recuperar a auto-estima.

O auto-exame das mamas é de real importância pra o diagnóstico precoce do câncer de mama, ele deve ser feito por todas as mulheres a partir dos 21 anos, todos os meses 7 dias após o período de menstruação, após a menopausa deve-se definir um dia do mês para o auto-exame.

Os fatores de risco para o câncer de mama são o histórico familiar da doença, a idade, a menarca precoce, a menopausa tardia, a primeira gravidez após os 30 anos e não ter tido filhos.

Clicando aqui pode se visualizar as estatísticas de incidência do câncer de próstata e de mama no Brasil em 2010.

Refencias:

http://www.portaldeginecologia.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=157

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=336

http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=13&id=16&menu=2

http://www.orientacoesmedicas.com.br/examedemamas.asp

http://www.inca.gov.br/estimativa/2010/index.asp?link=mapa.asp&ID=13

Câncer de próstata e o orgulho masculino

O câncer de próstata é um tipo de câncer que também merece destaque, sobretudo no Brasil. Seus altos índices na população masculina refletem esse quadro."O câncer de próstata é a sexta neoplasia maligna mais comum no mundo em número de casos novos, o terceiro câncer mais comum em homens e a neoplasia mais freqüente em homens europeus, americanos e de algumas partes da África" (Rohden & Averbeck, 2010).

Um fator que pode estar atrelado ao câncer é o sobrepeso. "Estima-se que 90 mil mortes por câncer poderiam ser evitadas a cada ano se a população adulta mantivesse um peso corporal adequado e que, aproximadamente, 20-33% dos casos de câncer mais comuns possam ser atribuídos ao peso corporal excedente e à inatividade física" (Machado et al).

A idade média na qual o câncer de próstata ocorre é entre 72 e 74 anos de idade. Na contra-mão de vários outros tipos de câncer, o câncer de próstata vêm apresentando crescimento grande, em virtude, principalmente, do aumento da longevidade que vivenciamos.

No entanto, grande parte desse crescimento poderia ser vetada se a prevenção fosse levada mais a sério. O mito estabelecido acerca do exame e do orgulho masculino estabelece um abismo difícil de ser extinguido entre o número de cânceres ocorridos e os que poderiam ser evitados. É preciso um trabalho de reconstrução da mentalidade da geração atual para que problemas como esse não sejam presentes quando a geração de jovens de hoje esteja na idade madura.

Segundo a American Urological Association (AUA), recomenda-se que (1) pacientes com mais de 50 anos e com expectativa de vida acima de 10 anos; e (2) pacientes com mais de 40 anos, se há história familiar de câncer de próstata ou se for de raça negra, devem fazer exames rotineiros.

É necessário um maior cuidado com a saúde. Um estilo de vida mais saudável não se resume só ao que se come, bebe e pratica. Mas inclui uma mente sauável também. Portanto, a prevenção é urgente! E não pode ser barrada por um simples orgulho.

Referências:


Câncer de pulmão no Brasil e no mundo




Não há exemplo melhor de neoplasia associada a estilo de vida do que o câncer de pulmão. Este é a primeira causa de óbitos entre os homens brasileiros e a segunda entre as mulheres. E se todos os sexos forem considerados, o câncer de pulmão é o de maior incidência e responsabilidade por óbitos em todo o mundo.

Todos estes dados servem como alarde para os grandes perigos associados à essa patologia. Como já foi dito neste blog, o fumante passivo não desenvolve câncer de pulmão (segundo estudos recentes da OMS), portanto, este tipo de câncer está atrelado unicamente aos fumantes ativos que adquiriram o hábito com o passar dos anos.

Nos últimos tempos, muito tem se falado sobre os perigos do uso ilícito de tabaco e, ao que parece, todo esse esforço produziu resultados significativos. No início do texto estão 3 gráficos que mostram a frequência de câncer no Brasil, em indivíduos do sexo masculino, em 3 períodos (1975-1987; 1988-1995; e 1996-2003) segundo a tabela 1 do estudo de Silva et al, 2008, cujo link é o seguinte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2008000300008&lng=pt#t1

Se os coeficientes angulares dos 3 gráficos forem analisados, observar-se-á uma diminuição do primeiro período para o último. Isto indica que a inclinação da reta está diminuindo, ou seja, caminha-se para uma estabilização, um período sem crescimento. Este é o primeiro passo para que haja um decréscimo na frequência deste tipo de câncer nos anos doravantes.

Esta estatística animadora não deve, no entanto, ser encarada somente com gozo. Uma vez que a incidência do tabagismo diminuiu significativamente (e, por consequência, a do câncer de pulmão), o uso de drogas ilícitas ainda mais danosas ao organismo está aumento muito, o que indica uma clara substituição do vício.

A maioria das patologias que acometem o ser humano são trazidas e provocadas pelo próprio. Cabe a nós, cuidarmos melhor do que é nosso e evitarmos ao máximo tudo que não faça bem para nosso corpo e, principalmente, para nossa mente.

Referência:


ps: Os eixos dos gráficos são: X: Ano
Y: Frequência acumulada

Câncer bucal e o consumo de tabaco

Como dito anteriormente o estilo de vida levado pela população é um dos principais fatores causadores do câncer, e com o câncer de boca não é diferente, a incidência do câncer de boca acompanha os padrões de consumo de tabaco e álcool, que funcionam como potencializadores e fatores de risco.

Nos indivíduos maculinos, o câncer bucal é o quinto maior em números de ocorrência e nos indivíduos femininos é o sétimo em números de ocorrência. Em média 6% de todos os cânceres diagnosticados são cânceres bucais.

Uma análise epidemiológica para avaliar a correlação entre o consumo de tabaco e a incidência de câncer bucal segundo sexo e idade dos pacientes foi elaborada por Fontes et al (2004), como pode ser visto neste link.

Figura 1 - Distribuição do número de casos de carcinoma epidermóide entre o período de 1972 a 2001

Figura 2 - Influência do consumo de tabaco na distribuição dos casos de carcinoma epidermóide de acordo com o sexo

Figura 3 - Freqüência de ocorrência do carcinoma epidermóide por faixas etárias


Tabela 1 - Prevalência do carcinoma epidermóide de acordo com o sexo, correlacionando com o consumo de tabaco

Tabela 2 - Prevalência do carcinoma epidermóide por faixa etária


Figura 4 - Regressão linear entre os valores da razão M:F e as faixas etárias

A maioria dos pacientes era do sexo masculino (84,47%), mas comparando a prevalência do carcinoma bucal em pacientes do sexo masculino e feminino observou-se uma diminuição da razão M:F (quantidade de homens para uma mulher) do grupo de pacientes não-fumantes (5,44:1) para o grupo de fumantes (3,80:1). A figura 2 mostra que essa diminuição na razão M:F está relacionada principalmente com a diminuição do número de pacientes do sexo masculino no grupo de fumantes.

A maior incidência de câncer bucal em homens no Brasil ocorre provavelmente pelo fato de que na nossa cultura há um numero maior de homens fumantes em comparação ao de mulheres.

A maioria dos pacientes tinha de 50 a 69 anos (64,5%), o padrão de distribuição da freqüência de ocorrência do câncer bucal por faixa etária pode ser observado na figura 3, que mostra o aumento dos casos a partir da faixa etária de 30 a 39 anos até a faixa de 50 a 59 anos, após essa faixa etária ocorre uma diminuição do número de casos com o aumento da faixa etária.

Analisando a tabela 2, observa-se a relação dependente da razão M:F com a faixa etária, assim, aplicando uma regressão linear entre a razão M:F e as faixas etárias, demonstrou-se uma relação negativa entre ambas. A razão M:F decresce com o aumento da idade do paciente.

Referências:

http://www.patologiaoral.com.br/texto65.asp

sábado, 11 de dezembro de 2010

Câncer e os agrotóxicos







Sabe-se que o Brasil, por motivos históricos e geográficos, é detentor de um grande potencial para a produção agrícola. Esse fato reflete quase que diretamente no cardápio da população brasileira, a qual está sempre consumindo alimentos como legumes, frutas e verduras. Por isso, não é de se estranhar que a utilização crescente de agrotóxicos no cultivo vegetal brasileiro esteja atrelado de alguma forma à incidência de moléstias (inclusive, do câncer) nos consumidores da produção agrícola.

Os agrotóxicos são usados principalmente para impedir a proliferação de pragas que possam prejudicar a plantação. Essas substâncias dificilmente são decompostas na natureza, possuindo, portanto, uma tendência a se acumular no organismo de seres vivos que as consuma. Dentre os principais compostos responsáveis pela contaminação de alimentos, estão os inseticidas, organofosforados, organoclorados, mercúrio e até mesmo medicamentos.

Embora seja senso comum que existe forte relação entre câncer e a exposição ocupacional a agrotóxicos, existem poucos estudos conclusivos no Brasil. Porém, na Europa, uma pesquisa realizada mostrou que a ingestão de agrotóxicos (especificamente, organoclorados) por mulheres pode aumentar a expressão de receptores para estrogênio, um hormônio esteróide naturalmente produzido pelo organismo feminino, cujas modificações podem desencadear a ocorrência do câncer de mama. Antes da utilização de organoclorados, a incidência desse tipo de câncer era predominante em mulheres de no mínimo 50 anos de idade, mas nos últimos 20 anos, a doença tem acometido mulheres mais jovens, como mostrado na tabela e gráfico do início do texto.

Referências:

http://www.cpmo.org.br/artigos/Agrotoxicos_Alimento_Tokeshi.pdf